ECP Green Summit 2026 apresentou os resultados e projetou o legado da Agenda ECP

O Pavilhão de Portugal, em Lisboa, recebeu, no dia 7 de outubro, o ECP Green Summit 2026, evento de encerramento da agenda ECP. O encontro reuniu empresas, universidades, centros de investigação, entidades públicas e representantes institucionais para apresentar os resultados alcançados e refletir sobre o futuro das indústrias portuguesas da cerâmica e da cristalaria.

Financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito do NextGenerationEU, e liderada pela Vista Alegre Atlantis, a Agenda ECP mobilizou, ao longo de quatro anos, cerca de 30 entidades em torno de um desafio comum: promover a sustentabilidade, a digitalização e a competitividade destes setores.

Mais do que fazer o balanço do percurso realizado, o ECP Green Summit procurou mostrar como o conhecimento produzido, os investimentos concretizados e as redes de colaboração criadas podem continuar a gerar valor para a indústria. No total, a Agenda permitiu desenvolver 40 novos produtos, processos e serviços, abrangendo áreas como a descarbonização dos processos térmicos, a eficiência energética, a circularidade das matérias-primas, o ecodesign, a digitalização e a capacitação.

COMPETIR NUM MUNDO EM MUDANÇA

A sessão de abertura foi conduzida por Fernando Daniel Nunes, presidente da Comissão Executiva da Vista Alegre, que destacou a capacidade da Agenda para unir o setor e aproximar empresas, universidades e centros tecnológicos. Sublinhou também que a diferenciação da indústria depende da tecnologia, mas sobretudo das pessoas que a utilizam e aperfeiçoam.

Seguiu-se a intervenção do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, subordinada ao tema «Competir num mundo que mudou». Na sua intervenção, defendeu que a inovação deve chegar às fábricas e ao mercado para se traduzir em produtividade, reforçando a importância da criação de valor, da internacionalização e de uma transição energética compatível com a competitividade industrial.

Carla Branco Santos, vogal do Conselho Diretivo do IAPMEI, refletiu sobre a forma de transformar investimento em mudança real nas empresas. A responsável destacou a Agenda ECP como demonstração de que setores tradicionais podem assumir um papel de destaque na inovação e na transição para modelos mais sustentáveis.

A relação entre ciência, tecnologia e valor industrial esteve no centro da intervenção de Joana Mendonça, professora do Instituto Superior Técnico. A especialista salientou que a inovação apenas se concretiza quando a tecnologia se transforma em valor no mercado, exigindo tempo, investimento, capacidade para assumir riscos e colaboração entre organizações com diferentes conhecimentos e experiências.

ENERGIA, CIRCULARIDADE, ECODESIGN e DIGITALIZAÇÃO.

Ao longo do dia, sete painéis de debate, moderados pela jornalista Ana Peneda Moreira, reuniram especialistas, empresas e entidades do sistema científico e tecnológico em conversas orientadas para os principais desafios da indústria. A transição energética foi analisada nos painéis «A Energia que vai Mover a Indústria» e «Descarbonizar para Competir». Os participantes abordaram a eficiência energética, a eletrificação, o hidrogénio, o biometano, a recuperação de calor residual e a necessidade de conciliar a redução de emissões com a viabilidade económica e operacional das empresas. No painel «A Economia Circular em Ação», foram apresentados exemplos concretos de transformação de resíduos em matérias-primas secundárias. O debate evidenciou as oportunidades económicas da circularidade, mas também a necessidade de caracterizar os materiais, criar escala e ultrapassar barreiras regulatórias. O ecodesign esteve em destaque no painel «O Produto sob o Olhar do Ecodesign», que reforçou a importância de considerar os impactos ambientais desde a conceção do produto. Os participantes defenderam uma abordagem de ciclo de vida, na qual produto e processo produtivo sejam pensados em conjunto. Os painéis «Decidir Melhor, Produzir Melhor» e «Conectar Pessoas, Dados e Empresas» centraram-se na aplicação de dados, inteligência artificial, gémeos digitais e plataformas de interoperabilidade à indústria. Foram igualmente debatidos o Passaporte Digital de Produto e as condições necessárias para partilhar informação de forma segura ao longo da cadeia de valor. A capacitação encerrou o conjunto de debates. O painel «Preparar Hoje, Garantir Amanhã» destacou a necessidade de antecipar as competências de que a indústria irá precisar, aproximar a formação dos contextos reais de trabalho e combinar o conhecimento acumulado nas empresas com novas ferramentas digitais.

DA EXIGÊNCIA AMBIENTAL À OPORTUNIDADE INDUSTRIAL

A abertura dos trabalhos da tarde contou com a participação da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. Conhecedora das especificidades técnicas das indústrias da cerâmica e da cristalaria, a Ministra destacou os desafios associados à eletrificação dos processos térmicos e defendeu uma transição ambiental que considere a maturidade das tecnologias e preserve a competitividade das empresas. O presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal, Fernando Alfaiate, apresentou o legado das Agendas Mobilizadoras. Entre os principais resultados, salientou os produtos e serviços desenvolvidos, as redes de cooperação criadas e o modelo de colaboração entre empresas e entidades científicas. Deixou também um desafio: dar escala às soluções, levá-las ao mercado e reforçar a capacidade exportadora da indústria portuguesa. Embora não tenha estado presente, António Costa e Silva associou-se ao encontro através de uma mensagem em vídeo dedicada ao papel do conhecimento, da inovação e da colaboração na resposta aos desafios futuros da indústria. O programa incluiu ainda a intervenção motivacional de Francisco Lufinha, que partilhou aprendizagens das suas travessias e recordes, relacionando-as com a gestão de projetos em contextos de incerteza, a preparação, a resiliência e o valor do trabalho em equipa.

RESULTADOS APRESENTADOS EM DIFERENTES FORMATOS

Paralelamente ao programa principal, o POP UP ECP permitiu aos participantes conhecerem evidências dos produtos, processos e serviços desenvolvidos pela Agenda. As POP UP Talks deram voz às entidades do consórcio através de apresentações breves e dinâmicas sobre soluções concretas. Entre os temas abordados estiveram os queimadores preparados para misturas de gás natural e hidrogénio, a reconversão de redes de gás, a recuperação de calor residual, os fornos oxi-híbridos, a avaliação do ciclo de vida, a inspeção e o planeamento inteligente da produção, o Passaporte Digital de Produto, a valorização de resíduos, a simulação virtual de processos térmicos e novas ferramentas de formação e capacitação. Na sessão de encerramento, Albertina Miranda de Sequeira, vice-presidente executiva da APICER, destacou a importância de valorizar o conhecimento produzido, dar continuidade às soluções desenvolvidas e garantir que o investimento realizado se traduz em novas oportunidades para as empresas.

O ECP Green Summit 2026 encerrou formalmente a agenda ECP, mas deixou clara a vontade de dar continuidade ao trabalho realizado. O principal legado está nos resultados alcançados, nas competências adquiridas e, sobretudo, na capacidade demonstrada por empresas, universidades e centros tecnológicos para trabalharem em conjunto na construção de uma indústria mais sustentável, digital e competitiva.

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