Futuro Digital da Indústria da Cerâmica e da Cristalaria
No dia 3 de junho de 2026, entre as 14h00 e as 17h00, realizou-se o Workshop “Futuro Digital da Indústria da Cerâmica e da Cristalaria: Contributos da Agenda ECP”.
A iniciativa contou com a presença de 92 participantes, entre representantes de empresas da indústria da cerâmica e da cristalaria, associações setoriais, centros tecnológicos, universidades e outras entidades interessadas nos temas da transformação digital e sustentabilidade industrial.
O workshop foi promovido no âmbito da agenda Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal (ECP), tendo como principal objetivo disseminar os resultados e o conhecimento gerado pelos parceiros da ECP na área da digitalização do setor, num contexto marcado pelos crescentes desafios associados à dupla transição digital e verde. A sessão procurou enquadrar os impactos das novas exigências regulamentares europeias, nomeadamente em matéria de sustentabilidade (ESG), do Regulamento Ecodesign, do novo Regulamento dos Produtos de Construção e da crescente relevância do Passaporte Digital de Produto e da metodologia BIM (Building Information Modelling), cuja implementação ganhou novo impulso com a recente aprovação da Estratégia Nacional BIM.
Ao longo da tarde foram debatidos os principais desafios que se colocam às empresas da indústria da cerâmica e da cristalaria, em particular a necessidade de recolher, organizar, tratar e partilhar informação ao longo de toda a cadeia de valor dos produtos, assegurando simultaneamente maior eficiência operacional, rastreabilidade, interoperabilidade e integração dos princípios da economia circular.
A sessão de abertura esteve a cargo de Cátia Carreira, Responsável de Inovação da VAA, seguindo-se a intervenção de Pedro Mêda, subordinada ao tema “O mesmo passaporte para duas realidades: Mercados e Ambiente Construído”. A apresentação permitiu enquadrar os desafios da implementação do Passaporte Digital de Produto no contexto europeu e refletir sobre o seu papel na articulação entre os mercados, os produtos e o ciclo de vida dos edifícios, destacando a importância da gestão e interoperabilidade da informação para responder aos novos requisitos regulamentares e objetivos de sustentabilidade.
O primeiro painel de debate, intitulado “Plataformas Digitais para Otimizar os Processos Internos nas Empresas”, moderado por Pedro Roseiro (INOV INESC), foi dedicado à apresentação de soluções digitais desenvolvidas e validadas em contexto industrial no âmbito da agenda ECP. Neste painel foram apresentadas a plataforma DigiCER, desenvolvida pela Visabeira I&D e validada na Matecerâmica, destinada à gestão do ciclo de vida do produto; a plataforma BIMCer, desenvolvida pela Visabeira I&D com a participação da Revigrés, Sanindusa e Universidade do Minho, que disponibiliza objetos BIM para produtos cerâmicos; e o Sistema Integrado de Apoio à Produção (UNYMA), desenvolvido pelo INOV INESC e testada na MCS – Mota Ceramic Solutions, orientado para a gestão integrada da produção, recolha de dados e apoio à tomada de decisão. As apresentações demonstraram o contributo destas ferramentas para a digitalização dos processos internos, aumento da produtividade, integração de informação e preparação das empresas para os futuros requisitos de rastreabilidade e gestão de dados.
O segundo painel, subordinado ao tema “Digitalização na Colaboração e Interoperabilidade na Cadeia de Valor” e moderado por Luís Miguel Silva (TICE.PT), incidiu sobre soluções orientadas para a colaboração entre organizações, partilha segura de informação e promoção da economia circular. Neste contexto foram apresentadas a plataforma DigiPass-Connect, destinada à interoperabilidade de dados e criação do Passaporte Digital de Produto, e a plataforma ResourceNet, dedicada à gestão, valorização e contratualização de fluxos de resíduos e subprodutos. As soluções apresentadas evidenciaram o seu potencial para apoiar a rastreabilidade dos produtos, a integração de informação ao longo da cadeia de valor, a valorização de resíduos e a produção de indicadores relevantes para relatórios de sustentabilidade e ESG.
A sessão foi concluída com a apresentação “Do Workshop à Ação: Como Avançar na Transformação Digital do Setor da Cerâmica e da Cristalaria”, conduzida por Victor Francisco (CTCV). Nesta intervenção foram analisados os principais desafios e oportunidades associados à transformação digital do setor, destacando-se o papel das ferramentas desenvolvidas no âmbito da agenda ECP, os desafios futuros relacionados com a integração de dados, o Passaporte Digital de Produto (DPP), o BIM, a inteligência artificial e a evolução para modelos de indústria mais inteligentes, conectados e sustentáveis. Foram ainda apresentados mecanismos de apoio técnico e oportunidades de financiamento que poderão apoiar as empresas na continuação deste processo de transformação após o término da agenda ECP.
O workshop constituiu uma importante ação de disseminação de resultados, permitindo dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos parceiros da agenda ECP, promover a transferência de conhecimento para as empresas do setor e fomentar a reflexão sobre os próximos passos necessários para acelerar a transformação digital da indústria da cerâmica e da cristalaria em Portugal. O elevado número de participantes e a dinâmica de interação registada ao longo das diferentes sessões evidenciaram a relevância e atualidade dos temas abordados, bem como o interesse do setor pelas soluções e competências desenvolvidas no âmbito da agenda ECP.